O Disco dos Três: Jogando no passado de Arton (1312 RE)

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Decidi narrar a clássica mini-campanha “O Disco dos Três” para meu grupo (re-apresentada no Só Aventuras Vol. 3). A aventura é bem clichê, mas funciona: os PJs recebem de um velho a missão divina de recuperar 3 partes de um artefato (o tal disco) capaz de impedir o retorno de um deus maligno.

Esta aventura é importante para a história de Arton: após a saga, a pouco conhecida Malpetrim começou a ganhar renome como “cidade dos heróis”. Talvez o maior desafio /sabor em narrar esta história é que ela se passa em 1312 do Registro Élfico (RE), quase 100 anos atrás em relação ao ano corrente do cenário (1410 RE)! Nesta época Arton era razoavelmente diferente. Segue uma compilação (e extrapolações) que fiz destas diferenças, para uma maior imersão na aventura:

Geopolítica

  • O Reinado era a única unidade política de Arton Norte; nada de Império de Tauron ou Liga Independente.
  • A coalizão é governada pela Rainha-Imperatriz Vallana (bisavó do Imperador-Rei Thormy). Pelos registros ela se encontra no trono há 37 anos, devendo estar com ~60 anos de idade. Ela é a responsável pela construção do Palácio Imperial (que só ficará pronto após sua morte), então suponho que uma parte considerável das finanças de Deheon esteja empenhada no projeto (o que pode refletir em descaso em outras áreas). Decidi dar-lhe o título de Vallana, A Construtora.
  • Tapista deve possuir alguns acordos e tratados com a coalizão (como a proteção do Reino de Hershey), mas não faz parte do Reinado. Penso que ainda deva ser comum ataques de corsários de Tapista aos navios do Reinado, e vice-versa.
  • Portsmouth ainda não era um reino independente, sendo apenas um condado de Bielefeld com espírito separatista. A arcanofobia local existe, mas não é forte, e só seria implementada como política mais tarde.
  • O reino élfico de Lenórienn encontra-se em seu apogeu, elfos são orgulhosos e xenofóbicos, e sua guerra infinita contra os hobgoblins não parece que irá terminar um dia (Ah! A Niele tinha 6 aninhos!)
  • Arton Sul é repleto de reinos humanos, mas devido as desavenças históricas, os reinos do sul e do norte mantém muito poucas relações entre si.
  • Tamu-ra, O Império de Jade, é conhecido como um reino distante e exótico, mas ainda não possui relações oficiais com o Reinado. Alguns tamuranianos aventureiros viajam pelo continente, mas são raros.

Ameaças

  • A Tormenta ainda não surgiu, no entanto, o tempo é algo relativo e distorcido para os lefeu, de modo que personagens lefou devem ser raros, mas podem existir! Nesta época eles seriam considerados apenas pessoas deformadas e perturbadoras.
  • A existência dos fintrolls e seu império subterrâneo ainda não é conhecida.
  • Nada de Aliança Negra. Thwor Ironfirst nem sequer nasceu! Entretanto, xamãs bugbears já sussurram sua tenebrosa profecia…
  • A principal ameaça deste período são os orcs, que atacam o reino de Lomatubar em grandes hordas. As Guerras de Lomatubar atingem seu ápice no 1º semestre do ano, sendo encerradas no 2º semestre pelo lançamento da praga coral sob o reino, que dizima os orcs.
  • Sartan está prestes a ressurgir em Arton através de uma fenda dimensional. Devido a isso, os reinos do oeste, especialmente Petrynia, passam por terríveis secas e uma peste assola o reino. Cultistas de Sartan encontram-se muito ativos, fazendo sacrifícios e dizimando aldeias.

Panteão

  • Sszzaass, O Deus da Traição, encontra-se desaparecido. Seu culto foi erradicado, com os poucos cultistas sobreviventes se mantendo escondidos. As nagahs são tidas como uma raça bondosa seguidora de Allihanna.
  • Valkária encontra-se presa em sua estátua, seus clérigos só possuem poder dentro das fronteiras de Deheon.
  • Kallyadranoch encontra-se completamente esquecido.
  • Ragnar, Deus da Morte, é conhecido por este nome apenas entre os goblinoides. O resto do mundo o conhece como Leen.
  • Tauron é pouco conhecido no Reinado, sendo considerado um aspecto da Divina Serpente, a deusa das dragões-caçadoras de Galrasia, que possui filosofia semelhante.
  • Glórienn ainda é deusa maior.
Malpetrim de 1312

Malpetrim de 1312

Malpetrim

  • A cidade ainda é pouco conhecida, mas sua posição próxima das Montanhas Uivantes a tornam uma parada comum para quem vêm ou vai para esta região.
  • Malpetrim é uma cidade portuária mais pacata que suas vizinhas, e talvez por isso atraia mais piratas, que visitam a cidade regularmente com vista grossa das autoridades. A cidade também deve ser um bom ponto para o comércio de pólvora e armas-de-fogo vindas de Smokestone.
  • Eu suponho que já ocorram expedições a Ilha de Galrasia nesta época, com patrocínio da Igreja de Tanna-Toh e da Academia Arcana. Malpetrim é o melhor porto para estas expedições.

Miscelânea

  • O continente de Moreania ainda era desconhecido.
  • A cidade flutuante de Vectora foi fundada há 33 anos e tem uma rota diferente. A cidade não passa por Malpetrim ou pelos reinos de Wynlla e Yuden. Provavelmente também não passa por Tapista, Hershey e Sckarshantallas, mas seria possível que visitasse alguns reinos de Arton Sul.
  • Os ancoradouros para Vectora ainda não foram inventados nas grandes cidades. Creio que o surgimento da cidade voadora impeliu os goblins a criarem os balões de ar quente nessa época.
  • As Ordens de Khalmyr e dos Cavaleiros da Luz foram fundadas há 22 anos e estão em franca expansão.
  • Não existe o Protetorado do Reino.
  • Armas de fogo já existem e são ilegais. A cidade de Smokestone já havia sido fundada e suas minas de pedra-fumaça já são exploradas desde 1202 RE! Para refletir certo progresso tecnológico, estabeleci que já existem canhões e granadas, mas não mosquetes e pistolas. Ao invés destes, existem arcabuzes e pistolões, menos precisos e demorados na recarga, embora um pouco mais baratos e leves que seus sucessores. Estas armas de fogo antigas incendeiam a pólvora com uma mecha, enquanto as armas atuais utilizam um mecanismo de pederneira. O maior tempo de recarga torna inviável o uso de armas de fogo como arma principal, mas seu dano justifica seu uso complementar.
Nova Arma: Arcabuz

Esta arma de fogo possui cano longo e um gatilho para inserir um pavio no cano de detonação. Usa-se com as duas mãos, mas sendo mais leve que o mosquete, é possível usá-la com apenas uma mão, recebendo -4 de penalidade na jogada de ataque. Recarregar o arcabuz exige uma ação completa.

Arma Exótica de Ataque à Distância ● Preço 300 TO (munição de 10 balas, 40 TO) ● Dano 3d6 ● Crítico: x3 ● Distância 30m ● Peso 2,5 Kg ● Tipo perfuração.

Nova Arma: Pistolão

Versão de cano um pouco mais curto do arcabuz. Requer apenas uma mão, mas você pode usar as duas mãos para conseguir maior estabilidade no disparo, recebendo +1 na jogada de ataque. Recarregar um pistolão exige uma ação completa.

Arma Exótica de Ataque à Distância ● Preço 150 TO (munição de 10 balas, 25 TO) ● Dano 3d4 ● Crítico: x3 ● Distância 15m ● Peso 1,5 Kg ● Tipo perfuração.

Armas-de-fogo arcaicas: pistolão e arcabuz

Armas-de-fogo arcaicas: pistolão e arcabuz

Restrições à Personagens

É permitido jogar com a maioria das classes e raças. Abaixo seguem as exceções, mas o mestre pode “dar um jeito” na maioria dos casos.

  • As raças fintroll e moreau são desconhecidas de Arton, sendo, portanto, proibidas. Gnomos podem vir de outros mundos, mas nem Lorde Niebling chegou a Arton ainda!
  • O mestre pode desejar proibir a raça lefou também, mas as antigas descrições da raça já relatavam que lefous já existiam antes da chegada da Tormenta, provavelmente por essa distorcer o espaço-tempo. Seguindo a mesma lógica, talentos e CdPs relacionados a Tormenta também poderiam serem permitidos, mas é aconselhável limitar sua aquisição.
  • Glórienn é uma deusa maior, com plenos poderes e devotos. Podem existir paladinos elfos devotos da deusa. Você pode consultar o Panteão D20 para saber as Obrigações & Restrições de Glórienn, e usar/adaptar os talentos de poder concedido fornecidos.
  • Nada de devotos de Kallyadranoch. Se for usar a CdP Tirano do Terceiro, opte pela versão apresentada no Panteão D20, que é referente a época em que o deus estava esquecido.
  • Devotos de Keenn possuem restrições a seus poderes de cura, como apresentado no Panteão D20 e Guia da Trilogia (pg. 112).
  • Não é possível adquirir níveis nas classes de prestígio Cavaleiro do Corvo e Cavaleiro Libertador, pois estas ordens de cavalaria ainda não foram fundadas. Arqueiro Escravo pode existir em teoria, mas é improvável, visto que os elfos ainda são uma raça orgulhosa e não se submetem facilmente a escravidão.
Referências:

A Nova Linha do Tempo de Arton (porque diabos isso não está no novo fórum da Jambô? Ou no blog da Jambô? Ou num Web enhancement?)

As imagens usadas nesse artigo pertencem a Jambô Editora e Lobo Borges. Quanto a figura das armas-de-fogo arcaicas, a imagem veio daqui.

3 thoughts on “O Disco dos Três: Jogando no passado de Arton (1312 RE)”

  1. Matheus Faria says:

    MUITO OBRIGADO!
    Eu to começando a mestrar uma campanha situada nessa época, utilizando inclusive o plot do Sartan. Isso com certeza vai me ajudar muito 🙂

  2. Pedro Henrique says:

    Excelente guia para se jogar nessa outra época de Arton, da até vontade de jogar essa aventura clássica, reunir a galera e mandar o Sartan pra pqp. Só falta tempo haha

  3. Edu Guimarães says:

    Guarda pra quando terminar a campanha de 3D&T Cosmic Marvel! 😀

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